A chance de uma mulher morrer por uma fratura no quadril - a mais comum na osteoporose - é maior do que por câncer de mama, apontam estudos de associações canadenses e americanas. Geralmente, as mortes ocorrem nos seis meses seguintes à queda, em decorrência de trombose, embolia pulmonar, pneumonia e infecções urinárias.
"Infelizmente, as pessoas só começam a se preocupar quando a idade chega, o que é um erro. Essa é uma doença em que a prevenção começa ainda na infância", diz o reumatologista José Goldenberg, do Hospital Albert Einstein.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma em cada quatro mulheres tem osteoporose. A incidência entre homens é de um em oito. A diferença se dá porque a redução da massa óssea masculina começa aos 40 anos e acontece muito lentamente. A delas atinge o pico aos 16 anos e permanece estável até os 30. A partir dessa idade, quem tem tendência à doença pode começar a perder 1% de massa ao ano até a menopausa, quando ocorre uma queda abrupta de 5% a 6%. O estrago aparece quando a perda total ultrapassa os 25%, comprometendo a resistência óssea.
De novo, a genética tem uma influência grande na saúde dos ossos, mas o trabalho de prevenção pode diminuir os prejuízos. Além de uma alimentação rica em cálcio (veja quadro), bons hábitos podem fazer toda a diferença.
Para se ter uma idéia, há estudos que mostram que café em excesso (quatro xícaras por dia) está associado a um aumento da fragilidade do osso, porque a cafeína mexe no metabolismo mineral-ósseo. Cigarro, decretam os médicos, deve ser abolido: altera a circulação e destrói os discos verticais da coluna.
Também não adianta tomar litros de leite, sem controlar o sal. O consumo máximo deve ser de 2 g diárias (menos de 1/2 colher de chá). O excesso provoca a eliminação do cálcio pela urina.
Inclua no seu "kit-prevenção": atividades aeróbicas e de fortalecimento muscular e sol com moderação (30 minutos até as 10h ou depois das 16h). A exposição solar ajuda o organismo a produzir vitamina D, fundamental para a absorção do cálcio.
A partir dos 40, é importante fazer exames de densitometria anuais, para detectar alterações na massa óssea. Quanto mais cedo os fatores de risco forem detectados, melhor serão os resultados da prevenção e dos tratamentos, que podem variar de medicamentos para impedir a descalcificação até a controvertida reposição hormonal. Goldenberg pondera: "É uma saída se houver mais benefícios do que riscos e a paciente for bem monitorada. As manifestações clínicas da osteoporose são dolorosas, desfigurantes e incapacitantes, podendo levar à morte."
O QUE É
Perda de cálcio dos ossos, que enfraquecem e fraturam facilmente
SINTOMAS
Não há; em geral, as fraturas atuam como "aviso"
CAUSAS
Álcool, cigarro, dieta pobre em cálcio, doenças crônicas (como artrite reumatóide), envelhecimento, imobilização prolongada, menopausa, perda de 10% do peso total perto dos 25 anos, uso de corticóides
PREVENÇÃO
-Dose diária de sol (30 minutos)
-Exercícios aeróbicos (caminhada, natação) três vezes por semana, fortalecimento muscular. Treino de equilíbrio para prevenir quedas
-Dieta rica em cálcio desde a adolescência (nessa fase, 60% do cálcio ingerido é absorvido, contra 25% na fase adulta)
DOSE DIÁRIA DE LEITE
Dos 9 aos 18 : 3 copos de 250 ml
Dos 19 aos 50: 3 copos de 150 ml
Acima de 51: 3 copos de 250 ml
Opção para substituir, consuma de três a cinco porções de iogurte, coalhadas, queijos, achocolatados, bolos, biscoitos, arroz doce, canjica.
Fonte: Revista da Folha (09/03/2003) - Matéria de Capa (Especial Dia da Mulher) - página 10 - por Mariliz Pereira Jorge.