A osteopenia é uma consequência do envelhecimento e pode ser controlada com dieta adequada, exercícios e exposição ao sol.
Alguns médicos a consideram o primeiro passo em direção à osteoporose. Para outros, é parte do processo natural do envelhecimento. Alheios a essa polêmica científica, muitos pacientes se assustam ao descobrir que sua densitometria óssea acusa um resultado abaixo do normal, classificado como osteopenia. Porém, antes de achar que os ossos podem se quebrar com qualquer esbarrão mais forte, é bom ter em mente que a leitura correta de um exame de densitometria óssea (DO) depende de vários fatores e apenas um médico é capaz de avaliá-los. Além disso, a osteopenia -redução da densidade mineral dos ossos- é controlável. A DO está se tornando um exame padrão para mulheres acima dos 40 anos. Ao se aproximar da menopausa, a mulher começa a produzir menos estrógeno, um hormônio importante para a formação de tecido ósseo. Sem a reciclagem do tecido, há redução da massa do esqueleto, e uma queda acentuada da massa óssea pode levar à osteoporose, uma doença séria que deixa os ossos porosos e aumenta o risco de fraturas. Nos homens, todo esse processo é mais lento, mas eles também podem desenvolver osteoporose. Indolor, a DO consiste em tirar uma radiografia de parte do esqueleto -coluna ou quadris, por exemplo. No laudo entregue ao paciente, a radiografia é acompanhada por uma tabela, que aponta qual a densidade dos ossos daquela pessoa, comparando-a com a de um indivíduo jovem do mesmo sexo. São considerados normais valores acima de -1. Resultados entre -1 e -2,5 caracterizam osteopenia e, a partir de -2,5, osteoporose. Isoladamente, uma classificação na faixa da osteopenia não é suficiente para um diagnóstico preciso. Há pessoas, por exemplo, que apresentam uma densidade óssea menor que a média durante toda a vida -é uma característica do organismo. Além disso, a osteopenia é apenas um dos fatores de risco para a osteoporose. "Idade, ciclo menstrual, casos de osteoporose na família, doenças, utilização de algum medicamento que causa perda óssea, alimentação e sedentarismo são outros pontos que devem ser avaliados", afirma Arlete Gianfaldoni, do Departamento de Ginecologia Endócrina do Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1 em cada 4 mulheres terão osteoporose após a menopausa. No sexo masculino, a incidência é menor: 1 em cada 8, depois dos 60 anos. A Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) realizou um estudo no Rio de Janeiro com 2.270 pacientes de 49 a 69 anos. A pesquisa foi publicada na revista médica brasileira "Femina", de maio deste ano, e constatou que 34% apresentaram resultado normal, 47%, osteopenia e 19%, osteoporose. Mas será que, daqui a alguns anos, todos os 1.070 pacientes com osteopenia estarão sofrendo fraturas decorrentes da osteoporose? Na opinião de Perla Plapler, médica responsável pelo Grupo de Reabilitação de Osteoporose do HC, a resposta é não. "A perda de massa óssea é inerente ao envelhecimento humano", afirma.
Tratamento
Os estudos mostraram que, apesar de os exames de DO estarem revelando elevados índices de casos de osteopenia e osteoporose, apenas uma pequena parcela da população no Brasil e no mundo está sendo tratada de maneira adequada. Medicamentos, reposição hormonal, mudanças na alimentação e exercícios são algumas das opções disponíveis.
Se a osteopenia é leve, é indicado aumentar o consumo de cálcio. Recomenda-se ingerir, diariamente, 1,5 g desse mineral, que pode ser obtido com dois ou três copos de leite ou iogurte (mesmo os desnatados), duas fatias de queijo e completada pelo cálcio dos outros alimentos.
A exposição, mesmo que indireta, ao sol -caminhando ao ar livre, por exemplo- é essencial, porque estimula a produção de vitamina D, que funciona como uma espécie de mediadora na absorção do cálcio. Os exercícios de impacto, como corrida ou ginástica aeróbica, são os que mais estimulam a formação de massa óssea.
Quando a perda de densidade mineral está mais acentuada, os médicos da Sociedade Brasileira de Climatério estabeleceram uma conduta comum. "Seguimos a orientação da Fundação Internacional de Osteoporose: quando o resultado da DO está abaixo de -1,5, já consideramos a osteopenia como uma condição grave e optamos pelo tratamento com medicamentos", afirma o ginecologista Rogério Bonassi Machado.
Fonte: Jornal Folha de SPaulo - Caderno Folha Equilíbrio (23/10/2003)
Por Mariana Del Grande
Perla Plapler, médica que coordena o Grupo de Reabilitação de Osteoporose do Hospital das Clínicas (SP).